Onde Lula ganhou terreno no segundo turno

Em 2026, pela primeira vez nas eleições presidenciais brasileiras com dois turnos, o candidato que ficou em segundo lugar no primeiro turno venceu o segundo. Onde Lula ganhou terreno e quais padrões locais acompanharam a virada? Explore essas questões com dados eleitorais e características da população dos municípios, das capitais, dos estados e do Brasil.

Explore como a votação, a margem de Lula e o comparecimento mudaram entre os turnos de 2026 e compare o segundo turno com os de 2018 e 2022. Os mapas apresentam essas mudanças ao lado de indicadores de renda, educação, religião e outras características da população do Censo Demográfico 2022 do IBGE.

O modelo de migração de votos estima possíveis fluxos entre os turnos a partir da comparação dos resultados das seções eleitorais. O diagrama de Sankey apresenta esses fluxos ajustados aos totais observados. Uma seção específica examina as seções eleitorais encerradas após as 17h10, mostrando onde seus votos foram depositados e comparando seus resultados com os das seções encerradas mais cedo no mesmo município.

Os resultados eleitorais e os horários de encerramento vêm do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os mapas descrevem padrões entre áreas, enquanto o modelo de migração apresenta fluxos estimados sob hipóteses explícitas. Para conhecer as mudanças nas escolhas de cada eleitor, são necessários dados individuais.

5.230 municípios apresentaram melhora na margem de Lula+1,17 milhão de votos de melhora na margem nas seções com comparecimento estável ou em queda

Variação da margem Lula menos Flávio por municípioAs cores dos municípios representam o indicador selecionado. Use a busca para consultar os valores exatos e a cobertura da amostra.

Sem dados / fora da amostra selecionadaVariação exatamente zero

Como interpretar possíveis migrações de voto?

Os resultados por seção permitem comparar padrões locais de apoio aos candidatos, comparecimento e votos brancos e nulos. Podemos observar, por exemplo, se Lula ganhou mais terreno onde um candidato eliminado teve maior apoio no primeiro turno. Essas comparações descrevem relações entre os totais de cada local.

Os mesmos totais de uma seção podem resultar de escolhas individuais diferentes. Imagine uma seção com 100 eleitores. No primeiro turno, Lula e Flávio recebem 40 votos cada, um candidato eliminado recebe dez, e dez votos são inválidos. No segundo turno, Lula recebe 50 votos, Flávio recebe 40, e dez votos são inválidos. A tabela mostra duas formas de chegar a esse resultado.

TrajetóriaDez eleitores do candidato eliminadoDez eleitores com voto inválido inicial
AVotam em LulaMantêm voto inválido
BVotam inválidoVotam em Lula

As duas trajetórias dão dez votos adicionais a Lula e mantêm o total de votos inválidos. Na trajetória A, os dez eleitores do candidato eliminado escolhem Lula. Na trajetória B, todos votam branco ou nulo, enquanto os eleitores que inicialmente votaram branco ou nulo escolhem Lula. As duas trajetórias são compatíveis com os resultados completos da seção.

O comparecimento também registra uma mudança líquida. Uma queda na abstenção significa que mais pessoas votaram no total. Algumas podem ter voltado a votar enquanto outras deixaram de participar. O painel de contabilização mostra como as mudanças líquidas no comparecimento e nos votos brancos e nulos se relacionam com o ganho conjunto dos finalistas.

O modelo apresentado nesta página acrescenta hipóteses sobre os fluxos para produzir estimativas. Avaliar essas hipóteses exige informação adicional aos totais eleitorais. As comparações locais e o ajuste pelo Censo apresentados aqui descrevem associações entre resultados locais. O exemplo mostra como escolhas individuais diferentes podem produzir as mesmas associações entre áreas.

Como ler as comparações

A comparação de 2026 usa seções com o mesmo número de eleitores aptos e a mesma composição das seções agregadas nos dois turnos. Para 2018 e 2022, a comparação padrão usa os totais completos de cada área. A alternativa reúne seções com o mesmo código e admite mudanças de até 20% no eleitorado, com uma análise adicional de sensibilidade a 10%. Áreas com baixa cobertura de seções comparáveis aparecem com hachuras diagonais. Os totais completos seguem os limites municipais de cada eleição, de modo que municípios criados após o ano inicial ficam sem comparação municipal. Haddad foi o candidato do PT em 2018, e o Censo 2022 descreve características da população medidas depois daquela eleição.

As taxas dos municípios, dos estados e do Brasil são calculadas somando as contagens relevantes antes da divisão. As comparações entre anos eleitorais usam o eleitorado apto de cada eleição. Já as participações nos votos válidos usam o total de votos válidos de cada período. A amostra comparável nacional abrange a votação no território brasileiro, enquanto os totais nacionais completos também incluem os votos do exterior.

Os indicadores do Censo 2022 usam os pesos amostrais oficiais. A renda domiciliar média por pessoa é ponderada pelo número de moradores dos domicílios particulares permanentes ocupados. Os indicadores de escolaridade abrangem pessoas de 25 anos ou mais, enquanto os de religião usam declarações válidas de pessoas de 10 anos ou mais. Os indicadores domiciliares abrangem domicílios particulares permanentes ocupados. As taxas estaduais e nacionais combinam os numeradores e denominadores ponderados.

O ajuste pelo Censo compara municípios considerando o logaritmo da população, renda por pessoa, urbanização, conclusão do ensino superior, proporções de idosos e evangélicos, condições eleitorais iniciais e estado. O mapa mostra a diferença entre a variação observada da margem e a previsão do modelo. Boa Esperança do Norte foi criado após o Censo 2022. Sua inclusão nessa comparação requer um perfil censitário compatível com os limites do novo município.

Os mapas descrevem resultados de áreas. Tirar conclusões sobre escolhas individuais a partir desses resultados envolve um problema de inferência ecológica, pois as relações entre áreas podem diferir das relações entre pessoas (Robinson, 1950). Estudar trajetórias individuais de voto exige dados que acompanhem os mesmos eleitores. Investigar mecanismos causais também exige um desenho de pesquisa adequado à pergunta. As estimativas censitárias usam pesos amostrais para representar a população, com um denominador apropriado a cada indicador.

Fontes: Senado Federal — resultado e virada histórica, TSE 2026, TSE 2022, TSE 2018, IBGE Censo 2022.